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O novo ritmo da moda

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Burberry verão 2016 – London Fashion Week

As mudanças no comportamento do consumidor em relação ao consumo de moda e informação estão chegando a um ponto onde as marcas não poderão mais fechar seus olhos. A justificativa do “sempre foi feito assim” não agrada mais um público que busca a todo o momento coisas novas e experiências positivas para a sua vida. Quando a marca não o satisfaz neste sentido o efeito é simples: abandono e esquecimento.

Não podemos mais negar que o atual formato de apresentação de novas coleções está desatualizado. Profissionais que estudam o comportamento do consumidor e buscam novas formas de aprimorar o processo criativo bateram repetidas vezes na tecla que tendência é comportamento e não estação, então esqueça o inverno do Dolce & Gabanna para pensar em seu inverno aqui no Brasil. Pense em o que esta acontecendo agora!

Houve resistência, mas hoje é possível ver marcas pensando de forma mais atual e buscando entender o que acontece no mundo de quem consome suas peças. Agora chegou a vez de repensar como se apresenta estas criações para o público. Em entrevista ao Business of Fashion, Christopher Bailey, CEO e diretor criativo Burberry declarou:

“Você cria toda essa energia em torno do desfile, daí ele acaba e você diz: agora esqueça porque ele não estará nas lojas nos próximos seis meses”.

O despertar do desejo, a ansiedade da espera e a exclusiva lista de espera para adquirir um produto que você se apaixonou durante um desfile funcionou durante anos, mas não é mais eficaz. A velocidade em que as marcas de moda lançam suas coleções e o hiato de tempo que existe entre o que é apresentado nas passarelas e o que chega à loja não agrada mais este consumidor que não sabe esperar.

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Burberry verão 2016 – London Fashion Week

E foi justamente a Burberry quem puxou a fila da mudança anunciando o fim das linhas Burberry London e Burberry Brit, em novembro, e incorporando todas as suas linhas em apenas uma. Nesta reestruturação, a divisão acontece apenas entre masculino e feminino, os desfiles deixarão de ser apresentados no formato tradicional – onde as peças demoram até seis meses para chegar às lojas – e passaram a acontecer duas vezes ao ano, fevereiro e setembro, e as peças já estão disponíveis para compra nos dias seguinte a apresentação. A Burberry aposta em um formato instantâneo e que nunca aconteceu em toda a história da marca.

Seguindo o mesmo caminho, a Tom Ford apostou em um formato de vídeo para apresentar o seu verão 2016 e anunciou que o seu inverno também será apresentado em setembro.  O boicote destas marcas ao calendário oficial de apresentações é um sinal que a indústria da moda está mudando drasticamente seus conceitos pensando no consumidor e na relação criativo x comercial que sempre esteve abalada com a sobrecarga de profissionais criativos criando grandes coleções em um curto espaço de tempo e uma equipe de vendas que contava apenas com o “desejo” e o “lúdico” para vender peças que demoravam quase meio ano para chegar às lojas.

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Ao mesmo tempo em que acredito neste novo posicionamento com foco no consumidor e na melhor relação entre criativos x comercial, não consigo me libertar do sentimento que toda essa pressa para que os produtos cheguem logo até as lojas seja uma tentativa desesperada de estimular novamente o consumismo desenfreado e a compra por impulso que tanto já foram explorados na indústria da moda e com a mudança no cenário atual fizeram muitas marcas fecharem suas portas.

Com um consumidor cada vez mais consciente e caminhando para uma vida mais simples, principalmente quando se trata de consumo, se esta é a estratégia oculta do segmento já posso prever mais uma crise chegando por aí!

Vamos acompanhar as próximas paginas desta história e quem sabe não resgato esse texto daqui um tempo 🙂

2 Comments

  • Karol

    Eu tô numa vibe de dar preferência à tudo o que é produzido em pequena escala
    Desde alimentos, até vestimenta e etc.
    E meio minimalista também. O que é o oposto da indústria da moda.
    Já fui apaixonada pelas marcas de departamento (tipo a Zara, H&M, etc.), mas hoje a minha marca favorita é de uma amiga aqui de Maringá mesmo, a Be You.nique.
    Por que tem muito amor envolvido! Pq ela acompanha a produção pessoalmente… pq é uma coisa mais chegada.
    Talvez não mude a esse ponto, mas concordo com você que essa coisa do consumismo desenfreado tende a colapsar!
    Aguardemos os próximos capítulos, rsrs

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