Histórias, intuição, ciclos e recomeços

Uma vez, conheci uma pessoa muito cheia de luz que me disse que eu tinha a capacidade de realizar todos os sonhos e projetos que desejava desde que aprendesse a ouvir a minha intuição.

A imagem que mais ilustrava minha situação naquele momento da vida era de um carro correndo, pegando fogo, com pneus furados e eu em cima de todo o caos, praticando yoga e fingindo ser plena enquanto tentava resolver a situação. Todos os meus dias eram essa agonia e nem conseguia explicar como cheguei lá. Como alguém consegue ouvir sua intuição no meio de toda essa gritaria?

E de repente tudo desabou (e eu também no sofá da terapia) e tive que lidar com o que sobrou. O que ainda estava bom, o que tinha acabado, o que dava para consertar. As responsabilidades e consequências de deixar chegar naquela situação. Chegar ao extremo nunca é uma boa opção, mas, na verdade, você só sabe quando chega lá.

Aí meu 2019 começou mais calmo, nesta busca por me reconectar comigo mesma, com a minha intuição e desejos. Estava tão afastada de mim que a vida funcionava em um infalível piloto automático.

Voltei para o meu mundo criativo, a escrever com mais frequência, parei de fugir da terapia, fiz meu pilates bonitinho e guardei um dia da semana para ir ao cinema ou sair com uma amiga. Encontrei uma forma de organizar minha vida sem ficar lendo mil tutoriais de produtividade e planejamento. Sendo bem sincera, depois de anos tentando, constatei que só funciona quando você encontra a sua forma de fazer.

Nessa busca por me reconectar com a minha intuição, me senti em uma bolha transparente, vendo o mundo se movimentar, mas de uma forma bem protegida, e tentando os meus sentimentos em todas as situações. “Será que eu realmente preciso sair com essa pessoa que me deixa sempre tão incomodada?”, “Eu preciso pegar esse novo projeto?”, “Eu quero comprar briga com essa pessoa no Facebook pela milionésima vez porque ela não entende o que é feminismo, equidade, diretos?”. Ia buscando minhas respostas, interagindo um pouco com o mundo e sempre voltando para a minha bolha.

Foi um pequeno ajuste de rota e muitas coisas mudaram. Em maio, nasceu a Valentinas! Foi tudo tão rápido e ao mesmo tempo tão certo, tão consistente, tão profundo, tão sincero que tive uma crise de pânico quando vi aquelas oito mulheres sentadas em volta de uma mesa esperando para viver comigo aquele momento que tinha sonhado tanto. Precisei fugir para o banheiro e respirar. E é claro que eu não me acalmei. E ainda não tenho palavras para agradecer a Nati (perfeita!) por me dar o braço e me ajudar naquele momento. Nunca vou esquecer a sua fala “bom, já que a Joy não consegue falar, eu vou explicar pra vocês o que é a Valentinas.”

Eu ainda vou falar mais da Valentinas aqui, mas não poderia deixar de destacar que em 2019 eu fui abraçada por muitas mulheres maravilhosas! Senti o poder do feminino, da cumplicidade, de estar ao lado de gente boa de verdade. Compartilhar com mulheres é mágico!

Depois disso eu, a Valentinas, a minha empresa, minha vida acadêmica, minha vida criativa foi encontrando uma forma própria de funcionar e interagir. Todas seguindo com o vento e aguentando alguns trancos mais fortes. Me ouvi mais, a tal intuição (que realmente é algo mágico), respirei bastante e ufa! 2019 foi pesado, mas terminamos bem!

Intuição e recomeços

Quando decidi abrir minha empresa há alguns anos, não sabia exatamente como gostaria de trabalhar, mas tinha uma longa lista do que eu não queria. Uma amiga (você é foda Thali!) compartilhou comigo um questionário com várias perguntas para ajudar a se encontrar em um projeto. Fui sincerona nas respostas e o resultado foi meu primeiro desafio como empreendedora.

No início da carreira, eu sonhava ter uma sala chic, com uma vista boa, decoração moderna e até diploma na parede (bem piegas, eu sei!), no entanto esse foi o primeiro sonho que tive que repensar quando comecei. Afinal, me conhecendo um pouco melhor com aquelas perguntinhas, vi que minha palavra-chave era liberdade, que estava na hora de testar meu trabalho. E como fazer isso em um lugar que precisa estar constantemente e assumindo responsabilidades financeiras mensais?

Apostei e me joguei na vida home-office! Era novidade e até fiquei famosa por isso. Dei várias entrevistas na TV, no rádio, no jornal, participei de eventos. Trabalhar em casa era muito bom, ainda é! Comecei com um cantinho na sala, mas depois consegui um espaço maior, com tapete, mesa chic e cadeira boa. A vida home-office é incrível, experimente pelo menos uma vez na sua vida!

Hoje a Joy B. Conteúdo cresceu, a Valentinas também, e chegou o momento de tomar novas decisões. Me aconselhando com uma pessoa muito querida (Paula sua linda <3), que por coincidência é próxima da pessoa muito cheia de luz do começo da história, perguntei sobre alguns desejos que andavam fervilhando em minha cabeça. A resposta foi “Você tem todas as ferramentas necessárias para fazer isso acontecer, tudo vai dar certo se fizer com sabedoria e calma.” Minha intuição ficava a todo momento: vamos vamos vamos e então fomos!

Conversei com algumas pessoas (obrigada amigos pela animação e incentivo), fiz muita conta e planilha no Excel, respirei, pensei e fiquei com frio na barriga muitas noites… E a grande novidade é que agora eu, a Valentinas e a Joy B. temos um novo espaço, um lugar todo nosso, com tudo que sonhamos e precisamos para crescer. É uma mudança e que mudança!

A gente sente insegurança, o peso da responsabilidade e o esforço para fazer dar certo. O medo vem, mas as vezes é preciso arriscar. O amor, o carinho e o incentivo daquelas pessoas maravilhosas que fazem parte da nossa vida também ajudam a acalmar o coração. São novos ciclos cheios de possibilidades.

É, Janeiro não estava para brincadeira e acho que 2020 também. A única meta não cumprida de 2019 foi voltar a escrever aqui, e bom – no fim – voltei atrasada, mas acho que não existiria post melhor que este para recomeçar. “Uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.” Virgínia Woolf, você tinha razão!

Estou de volta. A gente ainda vai ser ver muito por aqui 🙂

nossa nova sala e a minha intuição


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